Tecnologia ultrassônica auxilia tratamento de paciente queimado

  Dr. Luiz Philipe Molina   |     Outubro 17, 2016   |     Por Dentro do 9 / Cirurgia Plástica

A utilização de novas tecnologias na medicina tem sido muito discutida entre os médicos no Brasil todo e, com isso, alguns equipamentos estão ganhando aplicações inéditas no Brasil.

Aqui no H9J utilizamos pela primeira vez no Brasil a tecnologia de vibração ultrassônica no tratamento de queimadura grave. Essa é uma técnica que já é utilizada em cirurgias ortopédicas, neurológicas e também do aparelho digestivo, mas até então era considerada inédita para casos de queimadura. Só temos registrado casos de queimaduras tratadas desta forma fora do Brasil, como na Rússia, por exemplo.

Benefícios da tecnologia ultrassônica

A tecnologia ultrassônica é eficiente porque preserva vasos, tendões e músculos, resultado difícil de ser alcançado nas técnicas cirúrgicas tradicionais. A técnica ainda lesa menos os tecidos nobres, especialmente os tendões e vasos das mãos, por exemplo.

Só temos registrado casos de queimaduras tratadas desta forma fora do Brasil, como na Rússia, por exemplo.

A técnica foi empregada em uma paciente com queimadura profunda, um caso considerado grave. Normalmente, são casos de internação prolongada em que são necessárias várias cirurgias para remoção do tecido necrótico, cobertura, enxertia de pele, o que, muitas vezes, demanda tempo considerável de internação na UTI e diversas idas ao centro cirúrgico.

Em pacientes queimados graves, a pele pode ser infectada e formar o chamado biofilme bacteriano, condição muito difícil de se tratar. O biofilme permite que as bactérias sobrevivam ao tratamento com antibióticos e impede uma correta limpeza da pele.

Como o aparelho funciona?

O ultrassom interrompe o biofilme deixando as bactérias mais vulneráveis a um tratamento antisséptico ou antibiótico.

O aparelho funciona como se fosse uma mini britadeira capaz de trabalhar a uma frequência ultrassônica de 25 kHz por segundo, que desencadeia uma implosão das células do tecido a ser removido.

O aparelho, que se assemelha a um bisturi, possui uma entrada de irrigação onde sai uma solução fisiológica, utilizada para irrigar a pele afetada.

Por meio dessa solução o equipamento gera uma onda de choque, que é responsável pela formação de cavidades (cavitação), capaz de fragmentar camada por camada e remover tecido necrótico e as bactérias, e assim preservar o tecido vital adjacente graças à seletividade do ultrassom.

Ele agiliza a ação de agentes e prepara a pele para tratamentos complementares, como colocação de enxerto ou curativo.

Dr. Luiz Philipe Molina

Dr. Luiz Philipe Molina

Dr. Luiz Philipe Molina é Cirurgião Plástico do Hospital 9 de Julho.

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