Semana Mundial da Luta contra a Aids: cresce número de mulheres infectadas pelo HIV

  Dra. Sumire Sakabe   |     Dezembro 1, 2014   |     Infectologia

Atualmente, 35 milhões de pessoas convivem com o HIV no mundo. Destes, 19 milhões não sabem desta condição. Na contramão da epidemia global, as infecções aumentaram 11% no Brasil no último ano.

Hoje o mundo todo promove o Dia Mundial da Luta contra a Aids para conscientizar a população sobre a necessidade de prevenção, além de romper o estigma da doença. Apesar de os homens ainda serem maioria, casos entre mulheres são os que mais crescem, igualando ano a ano a razão entre os sexos.

O fim do grupo de risco

Com isso, ainda é correto falar em grupo de risco? Especialistas concordam que esta denominação não existe mais. Se no começo da epidemia, ainda nos anos 80, homens homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis eram parte deste grupo mais vulnerável, hoje o vírus não está restrito a nenhum nicho.

O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, com dados de 2012, comprovou a inversão no histórico de infecções: 67,5% dos casos notificados no Brasil pertenciam a heterossexuais, sendo que 58% destes eram mulheres, principalmente na faixa entre 30 a 49 anos.

Por se considerarem fora do grupo de risco, heterossexuais estão entre os públicos que menos se protegem e menos realizam testagem para detecção de HIV, o que contribui para o aumento na disseminação do vírus. Estima-se que o diagnóstico ocorra entre cinco e dez anos após o contágio.

Mulheres

Uma das principais causas para o aumento de contágio entre mulheres é que, ao entrarem em relacionamentos estáveis, os cuidados durante as relações sexuais são postos de lado.

Com isso, elas podem ser contaminadas pelos maridos que, por sua vez, podem ter sido infectados em uma relação extraconjugal, transfusão de sangue ou mesmo antes do casamento, o que reforça a importância dos exames pré-nupciais.

O diagnóstico nesses casos é geralmente feito após o surgimento de infecções oportunistas, reflexo da imunidade já bastante debilitada.

Prevenção

O uso de preservativo é ainda o método mais seguro de prevenção. Além disso, testes de HIV estão disponíveis em hospitais e também na rede pública e são feitos de forma confidencial.

A profilaxia pós exposição está disponível para situações especiais como exposição de risco acidental a parceiro(a) infectado(a), rompimento de camisinha ou mesmo violência sexual.

Nestas situações, a pessoa exposta pode fazer uso de medicamentos antirretrovirais por 28 dias para diminuir o risco de se infectar pelo HIV. Esta medida é eficaz se iniciada imediatamente após a exposição e até no máximo dentro de 72 horas. Saiba mais sobre o atendimento

Dra. Sumire Sakabe

Dra. Sumire Sakabe

Dra. Sumire Sakabe é Médica Infectologista do Hospital 9 de Julho.

Comentarios

Guia Prático da Saúde da Mulher

Baixe Grátis!
BAIXE O E-BOOK GRÁTIS