Endometriose e Adenomiose são a mesma coisa?

  Dra. Barbara Murayama   |     Março 29, 2017   |     Clínica da Mulher

Não é novidade que boa parte das mulheres têm adiado a gravidez para investir nos estudos e na carreira. Só faltou avisar o corpo, não? Brincadeiras à parte, a realidade é que a fertilidade feminina ainda não acompanhou essa mudança de ritmo.

Qual a consequência disso? Diversas, mas uma das mais importantes é o aumento da possibilidade de endometriose e de adenomiose.

Costumamos dizer que as doenças são “primas”, pois estão relacionadas a muitas menstruações ao longo da vida, também comum quando há gravidez tardia ou quando a mulher opta por não ter filhos.

Causas

Apesar das causas específicas ainda serem desconhecidas, as doenças têm uma correlação que parece estar ligada à exposição prolongada aos hormônios femininos e a questões multifatoriais como a influência do meio em que se vive.

Uma das teorias para explicar a endometriose é a menstruação retrógrada - quando o sangue volta pelas tubas uterinas e pode implicar no crescimento do tecido do endométrio fora do útero.

No entanto, como essa menstruação retrógrada é comum entre as mulheres, sem que se desenvolva endometriose, essa teoria não explica todos os casos, existem diversas outras possíveis causas.

Já para adenomiose, uma das teorias é a da invaginação, em que o endométrio se infiltra na parede do útero criando focos nessa região.

Os sintomas e a localização do tecido endometrial é que diferenciam as doenças. Mas qual a diferença?

Endometriose

Na endometriose, o tecido endometrial – que reveste o útero e cuja descamação gera o sangramento menstrual - sai da cavidade uterina e cresce em outros órgãos – ovário, intestino, trompa, bexiga e até no pulmão.

Os sintomas incluem:

  • Dismenorreia (cólica) dentro ou fora do período menstrual;
  • Dor nas relações sexuais;
  • Infertilidade.

Em algumas mulheres, porém, a endometriose não apresenta sintomas.

Adenomiose

Já na adenomiose, o tecido endometrial cresce na parede do útero.

O quadro clínico difere um pouco. Os principais sintomas são:

  • Sangramento aumentado durante a menstruação;
  • Cólicas fortes (principalmente no período menstrual);
  • Infertilidade.

Diagnóstico

Antes, precisávamos de cirurgia, como videolaparoscopia, e biópsia para iniciar o tratamento da endometriose. E no caso da adenomiose a biópsia só era possível após a retirada do útero. Hoje, uma boa consulta médica e/ou exames de imagem já permitem a suspeita diagnóstica e a definição da opção terapêutica mais adequada para o controle da doença.

Tratamento da Endometriose

O tratamento depende da idade, se a paciente tem dor, se quer engravidar, quando quer engravidar e da localização das lesões. Pode ser por meio de medicações ou, em alguns casos, a cirurgia é indicada para a remoção do tecido.

Precisamos pesar qual é o desejo da paciente e quais seus sintomas. Se for infertilidade, vamos por um caminho, se for dor, talvez o caminho seja outro inicialmente.

O tratamento de endometriose pode envolver cirurgia e medicações. A parte clínica do tratamento envolve tratamento hormonal (por exemplo, pílulas anticoncepcionais) para diminuir a evolução da doença e controlar os sintomas de dor.

A boa notícia é que há um grande avanço no diagnóstico, assim como a opção de tratamento por cirurgia robótica ginecológica, se houver indicação cirúrgica, pois este método permite a equipe mais precisão nos movimentos, portanto, menos dor pós-operatória, menos tempo de internação, menos perda de sangue em geral.

Este mês foi publicado um estudo que relata que a cirurgia robótica parece enxergar mais focos de endometriose do que a laparoscopia convencional, devido a sua visão 3D.

Tratamento da adenomiose

Para a adenomiose, a terapêutica definitiva é a remoção do útero por meio de cirurgia, o que para mulheres que ainda não têm filhos não é a opção ideal. Por isso, nos casos em que a mulher não deseja tirar o útero, o problema pode ser controlado com tratamento hormonal que visa diminuir os sintomas de dor e sangramento. Para mulheres com infertilidade, oferecemos tratamentos específicos.

Por isso, é importante conhecer o próprio corpo e buscar ajuda médica se algo não vai bem.

Os tratamentos devem ser individualizados, de acordo com o caso de cada mulher.

Guia Prático da Saúde da Mulher

Dra. Barbara Murayama

Dra. Barbara Murayama

Dra. Barbara Murayama é ginecologista e coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho.

Comentarios

Guia Prático da Saúde da Mulher

Baixe Grátis!
BAIXE O E-BOOK GRÁTIS