Doença inflamatória pélvica: como tratar?

  Dra. Barbara Murayama   |     Janeiro 24, 2018

Quando pensamos em doenças sexualmente transmissíveis, a DST é o que vem à cabeça, pois são aquelas mais abordadas em campanhas de saúde e aulas de biologia, como é o caso da AIDS e da sífilis. Apesar de essas serem as mais conhecidas, existem muitas outras que merecem a atenção de mulheres sexualmente ativas.

Hoje, falaremos um pouco sobre a doença inflamatória pélvica (DIP). Você já ouviu falar dela?

O que é a DIP?

É uma infecção que começa na vagina ou no colo do útero, se espalha e atinge o endométrio (parte interna do útero), as trompas e os ovários, podendo acometer toda a pelve.

A DIP afeta somente mulheres e é mais comum durante a fase reprodutiva. Ter hábitos sexuais como múltiplos parceiros, também é um fator de risco. São raros os casos da doença em meninas antes da primeira menstruação, grávidas e após a menopausa.

As causas

A DIP surge quando a mulher é contaminada por bactérias durante o ato sexual. As mais frequentes são as que causam gonorreia, clamídia e micoplasma. Quando esses micro-organismos “sobem” do canal vaginal para a região do útero, das trompas e dos ovários, eles podem originar a doença inflamatória pélvica.

Os sintomas

O maior problema dessa doença é que ela pode ser silenciosa durante muito tempo. Os efeitos da infecção geralmente só aparecem quando há um grande aumento do número de bactérias na região. 

Os primeiros sintomas podem ser uma dor leve ou moderada na parte inferior do abdômen. Outros sinais podem ser sangramento vaginal sem regularidade, corrimento (que pode ter cheiro forte) e dor nas relações sexuais.

Conforme a infecção se espalha, a dor abdominal aumenta e podem aparecer sinais como: febre baixa, náusea e vômitos. Sem tratamento, o problema só tende a piorar, podendo se tornar uma infecção grave e séria.

Algumas das consequências mais sérias da DIP são o bloqueio das trompas, a peritonite (uma infecção abdominal grave), abcessos, gravidez tubária (quando o feto se desenvolve fora do útero). Em casos graves, quando os ovários, tubas e/ou útero são muito prejudicados, pode ser necessária a remoção desses órgãos para salvar a vida da mulher.

Diagnóstico, tratamento e prevenção da DIP

O diagnóstico da DIP não é tão simples, pois, muitas vezes, as bactérias responsáveis não são detectadas em exames de rotina. O fato de elas se fixarem na parte mais interna do sistema reprodutor dificulta a identificação do problema.

Por isso, em caso de qualquer sintoma, é recomendável procurar um ginecologista (além de manter um acompanhamento regular).

O tratamento da DIP, inicialmente, é feito com antibióticos via oral ou por injeção durante duas semanas. O profissional também pode prescrever repouso, abstinência sexual e a retirada do DIU, quando houver. Pode ser necessária cirurgia em casos em que já há abscessos.

Outro ponto importante: o(s) parceiro(s) da mulher infectada deve(m) passar por um tratamento preventivo para evitar a recontaminação.

É possível se proteger da doença inflamatória pélvica com o uso de preservativos e, claro, não ter relações com pessoas que estejam com corrimentos e lesões nos genitais. Cuide-se. A prevenção será sempre a melhor opção!

 

Guia Prático da Saúde da Mulher

Dra. Barbara Murayama

Dra. Barbara Murayama

Dra. Barbara Murayama é ginecologista e coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho.

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